segunda-feira, 13 de maio de 2019

Síndrome de gafanhoto.


A síndrome do gafanhoto é uma alusão à passagem bíblica escrita em Números, no Velho Testamento. O Senhor Deus pediu para Moisés escolher 12 homens para espionarem a terra de Canaã, a terra prometida. A única característica que Deus pediu que esses homens tivessem era liderança. Moisés os escolheu e deu instruções bem específicas do que aqueles homens deveriam observar no lugar para onde foram designados. 
“Quando Moisés os mandou espionar a terra de Canaã, disse a esses homens o seguinte: — Vão pela região sul e subam pelas montanhas. Vejam bem que terra é essa. Vejam também se o povo que mora nela é forte ou fraco, se são poucos ou muitos. Vejam se a terra onde esse povo mora é boa ou ruim, se as suas cidades têm muralhas ou não. Examinem também a qualidade da terra, se é boa para plantar ou não. Vejam se há matas. Tenham coragem e tragam algumas frutas da terra. (Números‬ ‭13:17-20‬ ‭NTLH‬‬). 
Eles tinham um objetivo preciso e quando retornaram, o fracasso exalava através dos poros de 10 deles. Eles só enxergavam as impossibilidades e não as possibilidades de Deus. Ficaram assombrados, confusos, abalados e não conseguiam imaginar uma maneira de sair do problema. Foi então que o povo se entregou à derrota, ao murmúrio e à ingratidão. "...antes tivéssemos morrido no Egito" (Números 14:2) "Não seria melhor voltarmos para o Egito?" (Números 14:3)‬‬
Cremos que o povo de Deus é um povo forte, guerreiro, que triunfa sobre tempestades e que se refugia no Criador. Ou, pelo menos, é assim que deveria ser, afinal acreditamos que somos filhos do Deus de todo o universo e que Ele é por nós. No entanto, o que vemos são cristãos fracos na fé, impotentes, dominado pelo medo, que vivem cabisbaixos, derrotados e tristes. Essa é a síndrome do gafanhoto. “Também vimos ali gigantes, os descendentes de Anaque. Perto deles nós nos sentíamos tão pequenos como gafanhotos; e, para eles, também parecíamos gafanhotos.” (Números‬ ‭13:33‬ ‭NTLH‬‬). Para o nosso desfavor, essa síndrome é contagiosa, pois ao sermos abordados por uma pessoa pessimista, derrotada tendemos a nos encolher, quando deveríamos avançar sobre a opressão com verdadeira vontade e acancar com a oração em punho e o queixo voltado aos céus. Uma vez que sabemos que temos o poder de Deus imbuído em nós, atitudes derrotistas não podem nos consumir. Contudo, nos sentimos tão pequenos, tão ínfimos, tão gafanhotos quanto os espias se sentiam perto dos gigantes da terra que espionavam. Aqueles homens foram escolhidos entre tantos para espalhar, ao retornarem, a glória de Deus, para dizer ao resto que nada seria fácil, afinal havia adversidades, mas a grandeza do Senhor triunfaria. Contudo, a dita síndrome consumiu os enviados de Moisés e apenas 2 deles voltaram com boas novas e otimismo. 
Em outro momento, quando o tormento se materializou diante de Davi, ele se negou à derrota! Ele cravou seus olhos no poder soberano de Deus e não no tamanho do gigante. E todos nós sabemos o resultado triunfal que ele alcançou para a glória do Pai. Nos dias atuais, nossos gigantes são outros. Seu gigante pode ser um família desorientada, um chefe canalha, um filho nas drogas, um marido infiel. Mesmo assim, nossa atitude deve ser como a de Davi: fixar os olhos em Deus e não no gigante, seja ele qual for. Tem circulando na internet um desenho bem legal de dois arqueiros que diante de enorme obstáculo têm suas cabeças inundadas pelos seguintes pensamentos: o 1º pensa que o gigante é muito grande e não tem como vencê-lo e o 2º pensa que o gigante é muito grande e não tem como errar o alvo. Isso nos mostra que depende em onde você fixa seus olhos. No problema ou na solução? No gigante ou naquele que vence qualquer obstáculo? Se você não pode vencer, deixe o especialista em resolver problemas agir. Mas, entendo, isso não é nada fácil de se fazer, pois temos o hábito de controlar nossas vidas. Sabem de uma coisa? Temos que parar com isso, pois só temos ficado fracos, tristes e impotentes. Temos de entender que Deus nos deu poder e seria uma imbecilidade não usar essa benção que foi entregue a nós, como prova da misericórdia Dele. ‬‬
Há um livro escrito por Joaquim Manuel de Macedo chamado A luneta Mágica que discute a questão do bem e do mal. Neste livro, um rapaz míope procura a ajuda de alguém que faz óculos ou, no caso, lunetas, e este lhe entrega uma que faz o usuário ver somente o mal das pessoas. Muito revoltado, tendo visto o pior dos seres humanos, o rapaz míope decide quebrar a luneta e ir atrás de outra. Quando faz isso, recebe uma luneta onde só é possível ver o bem e ele acaba por se tornar um grandíssimo bobo, por enxergar apenas o lado bom dos seres. Por último, tendo quebrado a lente do bem, ele recebe a lente do bom senso, sendo possível equilibrar as duas forças em uma atitude de equilíbrio. Ele percebeu que há em cada um de nós um tanto de bem e outro tanto de mal e que o equilíbrio é o caminho, sendo Jesus o percurso. Só Nele encontramos a estabilidade que necessitamos, se Nele confiarmos. Josué e Calebe entraram na terra prometida, porque eles confiaram em Deus e Deus os honrou. Os outros, além de perambular pelo deserto por 40 anos, não foram recebidos em Canaã, a consequência de seus pecados não foi retirada. 
Sejamos fortes e poderemos enfrentar qualquer gigante com o poder e a força que Deus concede àqueles que o respeitam. 

Silvana Spina.
Escrito em Jan/2017


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